30/09/2009

Romantismo em Portugal





O fim das guerras civis e a inauguração de um período em que, não obstante os sobressaltos verificados, o regime liberal se estabiliza e uma nova sociedade encontra os seus mecanismos de equilíbrio, marca o aparecimento de padrões de vida do tipo romântico que se converte m no gosto dominante. Três grandes símbolos, funcionando embora em diferentes níveis, todos eles complementares, contribuíram poderosamente para esta nova realidade cultural: o Teatro D. Maria II, o Passeio Público e o Palácio da Pena.

Ponto programático de um vasto plano de reformas visando criar um teatro nacional, que teve em Garrett o principal impulsionador, a construção da casa de espectáculos do Rossio foi iniciada em 1842, segundo o projecto do italiano F. Lodi, e inaugurada quatro anos depois.

(...) Mas a sociedade que agora passa a frequentar o teatro declamado encontrou perto dele um novo hábito elegante acorrendo ao Passeio Público, jardim que, embora remodelado com gradeamentos, lagos e repuxos, permanecera um local deserto até que D. Fernando de Saxe-Coburgo lhe conferisse uma actualidade romântica. Com o exemplo do rei consorte, artista amador e coleccionador esclarecido, muito se modificou no sentido das vivências quotidianas. E foi a este príncipe germânico, vindo de um pequeno ducado da Turíngia, que coube uma das mais fecundas intervenções na arte portuguesa, não apenas pelos artistas que apoiou, como sobretudo pelo palácio que ergueu no grandioso cenário de Sintra, já celebrado por Byron.

A fundação de duas academias, uma em Lisboa e a outra no Porto, foi uma das aspirações finalmente concretizadas pelo liberalismo, em i836, devidas a Passos Manuel e ao Setembrismo, depois de vários anos de arrastado processo. Dificuldades de toda a ordem faziam prever uma vida difícil a estas instituições, comprometendo as esperanças de uma renovação profunda da arte em Portugal. De entre as imposições estatutárias, figurava a da realização de exposições trienais, o que fomentava um outro tipo de integração das obras no espaço cultural do País e estimulava o exercício regular da actividade crítica, difundida por uma imprensa em crescimento.

Carlos Moura, «A Arte em Portugal», em História de Portugal